“Meu pai nos deixou três imóveis, mas ficamos com apenas um.”
Frases como essa resumem bem o custo real de não planejar a sucessão patrimonial. O inventário durou 4 anos. Os honorários advocatícios, os impostos, as custas judiciais e a venda apressada dos imóveis dilapidaram o patrimônio. E o pior: os três irmãos, que sempre foram próximos, hoje mal se falam.
Situações como essa são mais comuns do que se imagina no Brasil. E não, não estamos falando apenas de grandes fortunas.
Por que isso acontece com tanta frequência?
O processo de inventário no Brasil costuma ser caro, demorado e emocionalmente desgastante. Mesmo em famílias harmoniosas, a burocracia gera tensão. Quando já existem conflitos latentes, o inventário tende a ampliá-los.
Na prática:
• Inventários frequentemente levam anos para serem concluídos
• Os custos totais podem representar parcela relevante do patrimônio
• Durante o processo, a venda ou negociação dos bens depende de autorização formal
• Decisões importantes ficam travadas até a conclusão da partilha
Mas há caminhos para evitar esses transtornos.
Holding Patrimonial
Imagine que você tem uma caixa onde guarda todos os seus bens: apartamentos, investimentos, participações em empresas. Agora, em vez de cada item estar em seu nome pessoal, você coloca tudo dentro dessa caixa que, na prática jurídica, é uma empresa.
Essa empresa é a holding patrimonial.
A holding não vende produtos nem presta serviços. Ela apenas organiza e protege o que você já construiu. E mais importante: facilita a transmissão para a próxima geração.
Como Funciona
1. Você cria a empresa (CNPJ)
A holding é uma empresa comum, com CNPJ, contrato social e sócios. Você pode ser o administrador e incluir seus herdeiros como sócios, de forma planejada.
2. Transfere os bens para a holding
Imóveis, participações societárias e outros ativos podem ser integralizados no capital social da empresa, observadas as regras legais e tributárias aplicáveis. Juridicamente, eles agora pertencem à empresa.
3. Define as regras no contrato social
O contrato social permite estabelecer regras claras sobre administração, tomada de decisões, ingresso de novos sócios, restrições à venda de cotas e outros mecanismos de governança.
Respeitados os limites legais, especialmente a parte da herança que a lei reserva obrigatoriamente aos herdeiros, é possível organizar a sucessão de forma mais estratégica e previsível.
4. Sucessão acontece por transferência de cotas
No falecimento do titular, o que será transmitido aos herdeiros são as cotas da empresa, e não cada bem individualmente.
Isso não elimina automaticamente a necessidade de inventário, mas costuma torná-lo mais simples, mais organizado e menos fragmentado, já que o patrimônio está concentrado em uma única estrutura.
Os 5 principais benefícios
- Organização e Governança
A holding impõe regras claras. Quem administra? Como se decide? Em que condições um bem pode ser vendido? Isso reduz decisões impulsivas e conflitos.
- Planejamento Sucessório Estruturado
A sucessão deixa de ser um evento improvisado e passa a ser planejada. A família já conhece as regras antes que qualquer situação inesperada ocorra.
- Camada Adicional de Proteção Patrimonial
Desde que bem estruturada, com separação adequada entre patrimônio pessoal e empresarial, a holding pode oferecer maior organização e proteção, sempre dentro dos limites legais e sem confusão patrimonial.
- Possível Eficiência Tributária
Dependendo da natureza dos bens e do regime tributário escolhido, pode haver ganhos de eficiência na tributação de rendimentos, como aluguéis ou lucros distribuídos.
Esses benefícios variam conforme o caso concreto e devem ser avaliados individualmente.
- Continuidade e Preservação do Legado
O patrimônio permanece como uma estrutura organizada que pode atravessar gerações, mantendo a memória e o propósito da família.
Quando a holding pode não ser necessária
Holding não é uma solução automática para todos os casos.
Dependendo do tamanho do patrimônio, da estrutura familiar e dos objetivos envolvidos, pode haver alternativas mais simples e eficientes.
Para esses casos, outras ferramentas como testamento, doação em vida ou previdência privada com foco sucessório podem ser mais adequadas. O ponto central não é a ferramenta, mas o planejamento.
Quais os custos?
A constituição de uma holding envolve despesas com advogado, contador e registro. Pode haver incidência de ITBI ou ITCMD na transferência de determinados bens, conforme o caso.
Além disso, existe custo mensal de manutenção contábil e cumprimento de obrigações fiscais.
Por outro lado, quando comparada a inventários longos e litigiosos, a estruturação prévia tende a reduzir desgaste, incerteza e custos indiretos relevantes.
O custo da estrutura deve sempre ser comparado ao custo da desorganização. A ausência de planejamento também tem custo, e ele recai sobre sua família.
O que está em jogo não é apenas dinheiro
Estruturar uma holding não é apenas organizar ativos. É:
• Reduzir risco de conflitos familiares
• Dar previsibilidade à sucessão
• Evitar que decisões importantes sejam tomadas em meio ao luto
• Preservar relações e continuidade patrimonial
Planejamento sucessório é um ato de responsabilidade. A holding patrimonial reflete a escolha de quem entende que patrimônio não é apenas algo que se acumula, mas que precisa ser cuidado, estruturado e transmitido com clareza.
Se este é o seu caso, fale com nossos especialistas.